Paintball

Guerra como treinamento
Empresas usam cada vez mais o paintball como ferramenta de treinamento empresarial, visando acelerar competências como elaboração de estratégias, liderança e trabalho em equipe

Se o mercado é uma guerra, nada melhor do que utilizar técnicas de batalha na vida empresarial. O paintball, esporte que usa armas de pressão e bolinhas de tinta (ou laser, na versão mais moderna), vem sendo cada vez mais empregado por consultores de RH (recursos humanos) como ferramenta de treinamento.

O paintball é utilizado para acelerar a aprendizagem de diversas competências, como elaboração de estratégias, liderança, trabalho em equipe, comunicação, motivação, foco em resultado, integração e tomadas de decisão.

Durante uma partida, duas equipes se enfrentam em um “campo de guerra”, visando colocar uma bandeira no quartel-general (QG) do adversário. Cada jogador entra em campo com um disparador e um número determinado de disparos. Quem for atingido está fora do jogo, ou, dependendo da regra combinada, não poderá invadir o QG oponente.

Paulo Calleri, da Combate, empresa que oferece espaço e estrutura para a prática do esporte, diz não conhecer ferramenta melhor para treinamento de recursos humanos. Investigador de polícia há 16 anos, ele conta que muitas das estratégias militares podem ser adaptadas para o meio empresarial. “A metodologia militar pode ser utilizada dentro das empresas com muita eficácia”, diz, indicando o livro “A arte da guerra”, de Sun Tzu, como leitura obrigatória.

Há seis anos no mercado, a Combate possui cerca de 50% do seu público de paintball composto por empresas que desejam fazer treinamentos em seu campo de quase mil metros quadrados. O campo, aliás, é uma atração à parte. Com terreno gramado e acidentado, com uma pequena ladeira em um canto, árvores, barricadas de sacos de areia, madeira e pneus, e uma torre de observação no centro, lembra bastante um campo de batalha real.

“No paintball, a gente consegue fazer as pessoas pensarem durante a ação”, explica Calleri. Em momentos de estresse, a pessoa pode entrar em uma espécie de travamento e não conseguir reagir da melhor maneira. O paintball estimula esse estresse, e aí “você tem que ser rápido e eficaz, pensar muito bem para tomar decisões acertadas”.

O consultor de RH pode alterar algumas regras, como o número de disparos por partida, por exemplo. Neste caso, a equipe precisa estar preparada para não gastar demais no começo e ficar sem munição ao fim. “Isso fará com que o jogador pense melhor e não gaste disparos à toa. Isso é ótimo para quem quer trabalhar a redução de custos ou orçamento apertado para uma tarefa”, diz Hamilton Guima, da Laser Shots, que usa o laser e coletes com sensores no lugar das bolinhas de tinta e um labirinto escuro e esfumaçado como campo de batalha.

Além disso, a prática do paintball também pode exercitar o conceito de planejamento estratégico. “O paintball faz os jogadores pensarem em objetivos e, o mais importante, como fazer para alcançá-los”, conta Calleri. “O mercado é uma guerra também. Você precisa saber agir de forma rápida e eficaz, ou pode morrer. Muitas vezes você precisa ousar para vencer”, afirma.

Vale dizer que a descarga de hormônios, principalmente a adrenalina, é alta durante uma partida – e a adrenalina é fundamental no mecanismo da elevação da pressão sangüínea e na produção de respostas fisiológicas rápidas do organismo aos estímulos externos.

A motivação é outro aspecto que costuma ser bastante exercitado nos campos de paint. Para o setor de vendas, por exemplo, a motivação de uma equipe é fundamental para se conseguir bons resultados. Visando este fim, o jogo pode ser recreativo, com regras menos rígidas e disparos à vontade. “Aí, eu aconselho que se jogue com o maior número de pessoas possível”, diz Guima.

Mas, atenção: antes de partir para a prática, o consultor de RH da empresa deve avaliar bem que tipo de treinamento deseja fazer e quais objetivos pretende atingir. “É muito importante as empresas terem bem claro se o jogo está estruturado dentro das necessidades”, explica Jeff Lara, consultor da Razão Humana.

Feito isto, o passo seguinte é saber como esses objetivos podem ser adequados ao jogo. O ideal é conversar com a empresa na qual o treinamento será feito e saber quais recursos estão disponíveis e de que maneira esses podem ser flexibilizados.

“Agora, o treinamento por si só não resolve o problema da empresa. Junto com o treinamento, é importante ter uma continuidade dentro da empresa, senão o RH vai jogar dinheiro fora”, finaliza Lara.

Publicada originalmente na revista Minha Empresa