Parece piada…

…Mas não é. Olha o naipe da pergunta no referendo de amanhã, na Venezuela de Hugo Chávez:

“Você aprova a emenda dos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 da Constituição da República, tramitada pela Assembleia Nacional, que amplia os direitos políticos do povo, com o fim de permitir que qualquer cidadão ou cidadã em exercício de um cargo de eleição popular possa ser sujeito à postulação como candidato ou candidata para o mesmo cargo pelo tempo estabelecido constitucionalmente, dependendo sua possível eleição exclusivamente do voto popular?”

Mas não é piada. Ou, se preferir, é, sim, uma piada grotesca – bem grotesca. Como diria aquele colunista mala da “Folha”, morte ao tucanês!

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Lula e Bush

Vendo Lula e Bush em entrevistas neste final de semana – Bush em coletiva de “despedida” e Lula à ESPN Brasil -, impossível não tecer comparações entre os dois. Vejo semelhanças e diferenças absurdas entre os dois.

Enquanto Lula gosta de soltar o já batido “nunca antes na história deste país”, Bush prefere o surrado “a história vai me julgar”. Bush é mais sincero do que Lula, em muitos pontos. Não sei até que ponto isso em política é bom ou ruim. Pro cidadão, não há dúvidas de que é benéfico: sabe-se exatamente o que o político de fato pensa.

Bush foi um péssimo político. Por sua falta de equilíbrio (ou extremismo, em certos pontos) e dificuldade em dialogar, larga o governo amargando uma das piores taxas de popularidade. Lula é o oposto, neste sentido: tem mais de 90% de aprovação. E sempre que pode evita bater de frente, tomar decisões difíceis, demitir ministros – lembro dos escândalos acontecendo um atrás de outro e Lula esperando, esperando, esperando.

Não tenho muita simpatia pelos dois. Pra dizer a verdade, acho-os boçais, sem elegância, extremamente rasos e meio brucutus mesmo. Fico impressionado de ver como muitas pessoas com sendo crítico os defendem com os argumentos os mais tolos possíveis.

Na coletiva em que vi trechos, Bush é um cabeça-dura teimoso em admitir erros – fala em “decepções” quando se refere à Abu Ghraib, Guantánamo ou à invasão ao Iraque e diz que a história o julgará. E Lula adora se vangloriar pelo que não fez sozinho ou dizer que “foram 500 anos de descaso”, como se fizesse um governo moralista e limpo (Sarney e Renan que o digam).

Outra característica que acho irritante em Lula: parece que ele não tem uma idéia firme sobre um assunto. Para cada platéia, um discurso. Na entrevista à ESPN, criticou o fato de cartolas se eternizarem no poder – Ricardo Teixeira e outros. Disse que alternância de poder é fundamental em qualquer lugar do mundo.

Quando perguntam sobre Hugo Chávez ou Fidel, diz que cada país é soberano, que acha normal, cada país faz as suas leis. Ok, não é preciso criar caso bobo com país vizinho nenhum, mas vai ser político assim lá na pqp.

Já Bush é direto: eixo do mal pra cá e pra lá. Não a toa é odiado no mundo inteiro – tomando até sapatadas. Mas é um discurso barato, vazio e hipócrita: Bush faz negócios com países que são ditaduras.

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Quem é o melhor do mundo?

Cristiano Ronaldo foi eleito nesta última segunda-feira o melhor jogador do mundo em 2008, prêmio que computa votos de todos os treinadores e capitães de seleções do mundo e entregue pela Fifa desde 1991, quando o ganhador foi o alemão Lothar Matthäus.

Gosto do futebol de Ronaldo: é veloz, chuta bem de fora da área, tem boa movimentação pelos dois lados do campo, além de ser bom cabeceador e driblador. Seu defeito era fazer muitas firulas nas pontas do campo, longe do gol. Quando passou a ser mais objetivo, o resultado apareceu. Na temporada passada, marcou 46 gols (42 pelo Manchester United e quatro pela seleção de Portugal), além das inúmeras jogadas e assistências para gol.

Além disso, seu time foi o campeão local (inglês), continental (Champions League) e mundial. Na Premier League e na Champions League, Ronaldo foi o artilheiro, com 31 gols (em 34 jogos) e 11 gols (em 14 jogos), respectivamente.

Só em termos de comparação: seus rivais mais badalados, Messi e Kaká, não conseguiram muita coisa com seus times. O Barcelona deixou escapar vergonhosamente o título espanhol para o Real Madrid e foi eliminado pelo Manchester nas semifinais da Champions. Já o Milan terminou o Calcio em quinto lugar, sem conseguir a classificação para o torneio intercontinental (onde foi despachado pelo Arsenal nas oitavas-de-final). Messi e Kaká podem até ter outras qualidades que o português não tem, mas na temporada passada não teve pra ninguém.

Eleger o melhor do mundo não é coisa fácil em futebol. Levam-se em conta muitos fatores, entre eles o fato de o time ter sido vencedor ou não na temporada (mas não só). Tivesse o Manchester caído perante o Chelsea (no inglês e na taça continental), Cristiano Ronaldo teria sido eleito o melhor do mundo? Talvez sim. Vale lembrar que quando Ronaldo Fenômeno foi eleito o melhor do mundo, em 1997, a Inter de Milão não ganhou grande coisa, apenas a Copa da Uefa.

E, sim, vamos lembrar que o português perdeu dois pênaltis na Champions League: um contra o Barcelona e outro contra o Chelsea, na decisão por pênaltis. Sortudo, ainda por cima.

Dunga e Maradona
Dunga e Maradona, ambos técnicos de seus países, votaram em Cristiano Ronaldo como o melhor, mas o que chama mais a atenção é o fato de não terem votado ou em Messi ou em Kaká – vale lembrar que a Fifa não permite que o técnico ou capitão votem em jogadores de suas seleções.

Dunga votou em 1. C. Ronaldo, 2. Fernando Torres (espanhol), 3. Arshavin (russo). Maradona foi de Maradona 1. C. Ronaldo, 2. Ibrahimovic (sueco), 3. Arshavin.

O veto de Maradona a Kaká talvez tenha até sentido: Kaká ficou boa parte do tempo machucado e realmente não brilhou. Mas não votar em Messi eu sinceramente não vejo explicação.

Fernando Torres fez sem dúvida uma boa temporada, com o título da Eurocopa (fez o gol da final), assim como Messi, que conquistou as Olimpíadas jogando muito – Dunga deve ter levado isso muito em conta na hora de votar.

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