Fuja dos investimentos tradicionais

Matéria que fiz para a “Revista do Sescon” (março/2013), sobre investimentos.

Clica ali no “Read more” para ler a matéria inteira.

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Está no azul e quer investir o seu dinheiro da melhor forma possível?
As aplicações tradicionais, como poupança e renda fixa, já não dão o retorno que davam; conheça alternativas para fazer o seu dinheiro crescer

Em primeiro lugar, parabéns! Você faz parte de uma minoria no Brasil que lida bem com o dinheiro, poupa e quer fazê-lo render através de bons investimentos.

Se você acompanha publicações do setor ou tem um interesse mínimo sobre investimentos, deve saber que as aplicações tradicionais como poupança ou renda fixa já não rendem o que renderam no passado. Se você pensa em investir no médio/longo prazo, está na hora de conhecer e novas e necessárias modalidades de investimento.

“O investidor deverá sair da zona de conforto para poder obter maior rentabilidade e vai precisar de um tempo maior para obter os mesmos retornos que estava acostumado na renda fixa em um cenário de juros altos”, diz Bruno Chizzotti Arrabal, sócio da Manhattan Investimentos, de Campinas.

De acordo com Arrabal, os juros obtidos neste tipo de aplicação, descontando-se a inflação, nunca estiveram tão baixos: “Em alguns casos, como nos investimentos de renda fixa que pagam imposto de renda, podem chegar a rentabilidades negativas.”

Conrado Navarro, educador financeiro e sócio do site Dinheirama.com, faz coro, porém sugere que o investidor mantenha parte de seu patrimônio em aplicações conservadoras e dedique parte para aplicações mais arrojadas (bolsa de valores, fundos de ações e imóveis), com objetivo de alavancar sua rentabilidade total da carteira.

Onde investir?
Uma das aplicações apontadas por Navarro é investir no Tesouro Direto, a aplicação mais segura no Brasil e que, em alguns casos, paga a inflação do período mais uma porcentagem estabelecida no ato da compra (é o caso das NTN-B).

Para o investidor conservador, além do Tesouro Direto, Arrabal recomenda aplicações de renda fixa isentas de imposto de renda, como as LCI (Letras de Crédito Imobiliário), CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e LCA (Letras de Crédito Agrícolas).

“Outra alternativa são as Debêntures, títulos de dívida emitidos por instituições privadas. Algumas empresas que investem em infraestrutura oferecem, com incentivo do Governo, títulos com isenção de imposto de renda sobre a rentabilidade”, afirma.

Uma saída interessante para quem busca maior rentabilidade é aplicar em fundos de investimentos – cuja grande vantagem são os custos menores e a possibilidade de diversificação com pouco capital, além da gestão profissional.

Arrabal informa que o investidor deve ficar atento às taxas de administração (“No caso dos fundos de renda fixa, não devem ultrapassar 1,5% ao ano”) e recomenda, neste período de juros baixos, os fundos multimercado e, para os que possuem um horizonte de longo prazo, fundos de ações.

Para quem gosta de investir imóveis, os fundos imobiliários são a melhor opção. “Mais simples, são uma alternativa ao investimento burocrático em imóveis – possuem maior liquidez, podem ser fracionados e a rentabilidade é isenta de imposto de renda”, comenta Arrabal.

Nesta modalidade, o investidor compra as cotas do fundo na Bolsa de Valores e recebe mensalmente os dividendos, como se fosse um aluguel. O risco de não receber é baixo, pois o investidor não fica exposto a ter apenas um inquilino – você pode ser dono de uma parte de um shopping center ou de um edifício comercial, por exemplo. “Acredito que é o mercado com maior potencial de crescimento no Brasil nos próximos anos”, prevê o sócio da Manhattan.

Quando investir direto em ações? Os especialistas são unânimes em dizer: quando você tiver disponível uma quantia significativa, para que possa diversificar – isto é, comprar ações de diversas empresas de setores diferentes.

“Além do valor financeiro mais alto, o investidor precisa de tempo para realizar as melhores escolhas e fazer o acompanhamento”, explica Arrabal.

Busque conhecimento
E, se você quer mesmo iniciar novos investimentos ou migrar parte de sua carteira conservadora para opções mais agressivas, a dica é: busque o maior número de informações possível. Faça cursos, leia livros e periódicos especializados e procure um serviço de assessoria.

“A maioria das pessoas não tem tempo para realizar o acompanhamento ou não tem o interesse de buscar conhecimento; portanto, ter um bom assessor ou um planejador financeiro pessoal com certeza leva o investidor a cometer menos erros e obter uma rentabilidade maior neste atual cenário de juros baixos e inflação alta”, finaliza Arrabal.

Você está no vermelho e tem problemas para lidar com o dinheiro?
Ter noção clara da situação é o primeiro passo para organizar uma vida financeira atribulada

Ninguém gosta de admitir que tem dívidas ou que está quebrado. Ainda mais se isso afeta a vida familiar e o status social. Porém, dizem os especialistas, ter uma noção muito clara da situação é o primeiro passo para reorganizar uma vida financeira atribulada.

Conrado Navarro, educador financeiro e sócio-fundador do site Dinheirama.com, dá cinco dicas práticas e objetivas para quem está nesta situação: 1) Organize as finanças de forma que elas possam ser quitadas ou trocadas por alternativas de crédito mais baratas; 2) Organize as finanças com uma ferramenta de orçamento, atualizada semanalmente; 3) Sempre que for comprar algo, pesquise mais de uma loja e poupe para dar a maior entrada possível ou compre à vista; 4) Crie um momento todo mês para abordar as finanças do lar com a presença de toda a família (definição de limites, responsabilidades, direitos e deveres); e 5) Destine parte das receitas para sua qualidade de vida, investindo em momentos agradáveis ao lado da família, mas sempre respeitando o orçamento (para fazer isso, este item precisará ser uma prioridade frente ao consumismo).

“Educação financeira significa lembrar que, para que o dinheiro seja multiplicado e traga liberdade e independência, precisa ser prioridade, mas nunca fator de intimidação”, afirma o orientador.

Navarro também sugere que se definam limites de gasto, determinando objetivos e encaixando-os no planejamento financeiro.

Outra dica é partir para uma transformação mais drástica e mudar hábitos enraizados. “Este é recomendado para aqueles casos em que as contas não fecham, a família não tem um orçamento atualizado e é possível identificar rapidamente que há exagero em itens como transporte, lazer e alimentação, por exemplo. O importante aqui é definir limites para os gastos.”

Dados preocupantes e nível de endividamento
De acordo com levantamento do Banco Central, as dívidas consomem mais de 40% do que o brasileiro ganha em 12 meses. É a taxa mais elevada desde 2005.

Este alto endividamento é consequência do aumento da oferta de crédito nos últimos anos – algo bom para o crescimento do consumo, porém perigoso para as contas.
O Núcleo de Defesa do Consumidor recomenda que as dívidas nunca ultrapassem 30% do salário.

Especialistas em finanças pessoais vão além, como é a dica de Roberto Zentgraf: pegue o valor de sua renda e desconte todas as despesas fixas – desta sobra, use no máximo a metade. O que sobrar guarde para emergências, viagens, aposentadoria, entre outros.

 

ONDE INVESTIR
Aplicações conservadoras
• Poupança e renda fixa – Somente para investimentos de curtíssimo prazo, quando você precisa do dinheiro ou precisa de liquidez imediata. Não rendem mais o que já renderam no passado.
• Tesouro Direto – Aplicação segura e garantida pelo Governo. Alguns títulos, como os NTN-B, pagam a inflação do período e uma porcentagem estabelecida no ato da compra.
• Renda fixa – A sugestão é investir em aplicações isentas de impostos de renda, como as LCI (Letras de Crédito Imobiliário), CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e LCA (Letras de Crédito Agrícolas).
• Debêntures – Títulos de dívida emitidos por empresas. As que investem em infraestrutura oferecem, com incentivo do Governo, isenção do imposto de renda.
• Fundos imobiliários – Alternativa ao investimento burocrático em imóveis. Possuem liquidez e a rentabilidade é isenta de imposto de renda.

Aplicações moderadas/agressivas
• Fundos multimercados ou fundos de ações – Geridos por empresas e que investem em várias empresas, aplicações ou mesmo em outros fundos maiores. Podem ser moderados ou agressivos, dependendo da composição da carteira.
• Ações – Ao comprá-las, você se torna, literalmente, dono de um pedaço de uma empresa.

Nos casos de fundos e ações, a recomendação é que você procure um serviço especializado em investimentos – que vai prestar toda a orientação necessária de acordo com o seu perfil. Evite os bancos – é comum eles não estarem muito preocupados em oferecer os melhores produtos para você.

(Para Revista do Sescon Campinas – março/2013)

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